O projeto Contra-Quiosque da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, com curadoria dos Space Transcribers, convidou artistas a ocuparem quiosques desativados de Braga através de investigações centradas em coleções e arquivos, pessoais ou de instituições. A intenção foi desvendar e debater narrativas que ficaram fora dos discursos e representações predominantes, nomeadamente as de migrantes, comunidades multiculturais ou grupos LGBTQIA+, bem como os ecossistemas. Durante 2025, estes quiosques, reabilitados pelo arquiteto António Pedro Faria, formaram uma espécie de museu com vários centros, espalhados por diferentes pontos da cidade.
Marta Pinto Machado foi uma das artistas que desenvolveu e apresentou uma obra artística no âmbito deste projeto, que integrou também trabalhos dos artistas Miguel Teodoro, Emília Rigová, Hilda de Paulo e Maria Trabulo. ‘Ceci n’est pas Francisco’ partiu da descoberta de uma fotografia de Francisco Mendonça – futebolista negro que viveu em Braga na década de 1960 – encontrada no Arquivo Distrital de Braga. A obra propôs uma reconstrução especulativa e poética da sua passagem pela cidade, confrontando narrativas oficiais e expondo silêncios institucionais em torno de questões raciais e políticas.
Esta instalação, que se encontra atualmente patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, foi a base para uma nova exposição que a artista bracarense vai inaugurar no próximo dia 22 de maio, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.
A inauguração acontece às 19h00 e é antecedida por uma conversa com a artista Marta Pinto Machado e a investigadora Inês Vieira Gomes. Esta exposição, com curadoria de Filipa Oliveira e Ricardo Barbosa Vicente, poderá ser visitada até 27 de junho.